Poucos sabem, mas o Atlético-MG contratou o melhor goleiro da Copa do Mundo
Ao longo de sua história, o Atlético-MG teve grandes nomes defendendo a meta alvinegra.…

Ao longo de sua história, o Atlético-MG teve grandes nomes defendendo a meta alvinegra. Ídolos como João Leite, Victor e Everson marcaram época no clube, mas poucos torcedores se lembram que o Galo já contou com um goleiro reconhecido pela Fifa como o melhor da Copa do Mundo.

Trata-se do uruguaio Ladislao Mazurkiewicz, contratado pelo Atlético-MG em 1972, apenas dois anos após brilhar no Mundial do México e ser apontado como o principal goleiro da competição.
Considerado um dos maiores arqueiros da história do futebol sul-americano, Mazurkiewicz chegou a Belo Horizonte cercado de expectativa e rapidamente conquistou a admiração da torcida atleticana.
O goleiro que parou o mundo em 1970
Filho de imigrantes poloneses e nascido no Uruguai, Mazurkiewicz viveu o auge da carreira defendendo a seleção uruguaia na Copa do Mundo de 1970.
Naquela edição do torneio, participou de um dos lances mais emblemáticos da história dos Mundiais. Na semifinal entre Brasil e Uruguai, Pelé protagonizou o famoso lance conhecido como o “gol que não saiu”.
Aos 17 minutos do segundo tempo, o camisa 10 brasileiro deixou a bola passar sem tocá-la, enganou Mazurkiewicz e contornou o goleiro. Na sequência, finalizou para fora, eternizando um dos momentos mais lembrados da história das Copas.
Mesmo com a derrota uruguaia por 3 a 1, o desempenho do goleiro ao longo do torneio foi tão consistente que ele acabou eleito o melhor da posição naquela Copa do Mundo.
Além do Mundial de 1970, Mazurkiewicz também representou o Uruguai nas Copas de 1966 e 1974, além de conquistar a Copa América de 1967.
Chegada ao Atlético quase não aconteceu
Após conquistar títulos importantes pelo Peñarol, incluindo a Libertadores e a Copa Intercontinental de 1966, o goleiro despertou o interesse do Atlético, que buscava reforçar o elenco depois da conquista do Campeonato Brasileiro de 1971. As negociações, porém, não foram simples.

Questões financeiras e divergências relacionadas a impostos chegaram a interromper as conversas em mais de uma oportunidade. Ainda assim, a diretoria atleticana insistiu e conseguiu convencer o uruguaio a aceitar a proposta. A apresentação oficial aconteceu em fevereiro de 1972.
Ídolo sem levantar troféus
Apesar de não conquistar títulos com a camisa atleticana, Mazurkiewicz construiu uma trajetória de respeito e admiração no clube.
Entre 1972 e 1974, disputou 89 partidas pelo Galo e sofreu apenas 85 gols, mantendo uma média inferior a um gol sofrido por jogo.
Em uma época de forte rivalidade e de domínio do Cruzeiro no cenário estadual, o Atlético acumulou vice-campeonatos, mas encontrou no uruguaio uma das principais referências da equipe.
Suas defesas decisivas, liderança e segurança em campo fizeram com que o goleiro se tornasse um dos estrangeiros mais respeitados da história atleticana.
A despedida aconteceu em outubro de 1974, justamente em um clássico contra o Cruzeiro. O empate sem gols marcou o fim da passagem do arqueiro por Belo Horizonte, encerrada sob aplausos das duas torcidas presentes no estádio.
Legado eterno no Galo
Após deixar o Atlético, Mazurkiewicz ainda atuou na Espanha, Chile e Colômbia antes de retornar ao Peñarol, onde encerrou a carreira.
O ex-goleiro faleceu em janeiro de 2013, aos 67 anos, em Montevidéu, mas seu nome segue vivo na memória atleticana. Integrante do Hall da Fama do clube, ele permanece como um personagem único na história do Galo: o goleiro que chegou a Belo Horizonte ostentando o título de melhor da Copa do Mundo. Um feito que, até hoje, nenhum outro jogador que vestiu a camisa alvinegra conseguiu repetir.
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